Artemis II: O voo de teste de alto risco para a Lua

0
13

A missão Artemis II da NASA representa um passo ousado na exploração lunar, mas também é definida por riscos significativos e inevitáveis. O próximo voo de 10 dias – com lançamento previsto para 6 de fevereiro – empurrará quatro astronautas para um território desconhecido, testando o foguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) e a cápsula Orion sob condições extremas. Esta missão não se trata apenas de chegar à lua; trata-se de provar que os humanos podem sobreviver e operar com segurança no espaço profundo, um pré-requisito para futuras missões a Marte e além.

A escala do desafio

Os números por si só destacam a intensidade da missão. A tripulação – Comandante Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen – irá aventurar-se aproximadamente 4.600 milhas náuticas além da Lua, mais longe do que qualquer voo espacial humano anterior. Após o regresso, a cápsula Orion, apelidada de “Integridade”, reentrará na atmosfera da Terra a impressionantes 40.000 km/h (Mach 39), comparável à velocidade do regresso da Apollo 10 em 1969. Estas velocidades estão quase para além da compreensão humana, mas são essenciais para um rápido regresso das distâncias lunares.

Rotas de Fuga e Planos de Contingência

A NASA projetou múltiplas camadas de redundância no Artemis II. Durante a subida, os controladores de vôo podem ajustar o curso se o foguete SLS funcionar inesperadamente. Poucos minutos após o lançamento, eles podem abortar a trajetória lunar e girar a cápsula ao redor da Terra para solucionar problemas. Caso os problemas persistam, um pouso na Baixa Califórnia, no México, continua sendo uma opção, perdendo a missão lunar, mas preservando a segurança da tripulação.

Além da órbita da Terra, a trajetória de Orion aproveita a gravidade para garantir um caminho de “retorno livre”, o que significa que irá naturalmente oscilar de volta para a Terra, mesmo que as queimaduras posteriores falhem. Propulsores menores fornecem recursos de correção adicionais.

Os perigos ocultos: radiação e comunicação

A ameaça mais significativa fora do campo magnético protetor da Terra é a radiação. A tripulação do Artemis II estará exposta a níveis mais elevados de radiação cósmica e solar do que os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, onde os cinturões de Van Allen fornecem alguma proteção. O Sol também se aproxima do pico do seu ciclo de atividade de 11 anos, aumentando o risco de ejeções de massa coronal, explosões imprevisíveis de partículas de alta energia. Para mitigar esta situação, a Orion está equipada com sensores de radiação e os astronautas praticarão a construção de um abrigo de emergência dentro da cápsula, utilizando sacos de arrumação como proteção.

Outro desafio crítico são os apagões de comunicação. Durante a passagem mais próxima ao redor da Lua, Orion desaparecerá atrás do outro lado lunar por aproximadamente 45 minutos, cortando o contato de rádio com a Terra. Embora sejam esperados apagões planejados, perdas inesperadas de comunicação, como as experimentadas durante Artemis I devido ao envelhecimento da infraestrutura da Deep Space Network da NASA, continuam a ser uma preocupação.

O escudo térmico e a descida final

A fase final da missão – a reentrada – continua a ser a mais arriscada. Durante Artemis I, o material carbonizado desprendeu-se do escudo térmico de Orion sob temperaturas extremas, levantando preocupações sobre a sua integridade. A NASA insiste que os danos não teriam ameaçado a tripulação, mas foram feitas modificações no plano de reentrada do Artemis II. O local de pouso foi transferido para mais perto de San Diego, Califórnia, para reduzir a exposição ao calor. Apesar destas mudanças, a descida final acarreta riscos inevitáveis.

“De uma perspectiva geral, isso é apenas parte da trapaça da gravidade”, reconhece John Honeycutt, líder da equipe de gerenciamento de missão da NASA.

Em última análise, Artemis II é uma aposta calculada. A missão foi projetada para testar os limites da tecnologia de voos espaciais tripulados, com salvaguardas integradas, mas sem garantias. O sucesso ou o fracasso deste voo moldará não apenas os planos lunares da NASA, mas também o futuro da humanidade no espaço profundo.