A cidade faminta por solo

0
13

É difícil cultivar alimentos quando não se tem terreno para se sustentar.

Em Londres. Especialmente agora.

Os ativistas querem uma mudança. Não apenas em espírito, mas em estatuto. Eles estão pedindo à Prefeitura que estabeleça um “Direito de Crescer” em toda a capital. Desbloquearia terras públicas não utilizadas para hortas comunitárias. A ideia é realmente simples. Pegue os espaços desperdiçados. Torne-os comestíveis.

Alguns lugares já perceberam isso. Hounslow. Southwark. Hackney. Eles lançaram suas próprias versões da política. Os terrenos baldios estão se tornando pomares e loteamentos. Funciona onde existe. Mas por que parar em alguns bairros? A Autoridade da Grande Londres precisa de avançar. Um modelo padronizado está sendo solicitado para todos os trinta e dois distritos, além da própria cidade de Londres.

A pressão vem com dados.

A Assembleia Popular de Londres sobre Alimentação, Natureza e o “Direito ao Crescimento” acaba de divulgar um relatório. Ele estabelece doze demandas específicas. A meta é ambiciosa. Tornar a capital mais verde e mais comestível até 2035. Isso parece poético. Os detalhes são administrativos. Precisamos de oficiais dedicados ao crescimento da comunidade em todos os distritos. O cultivo de alimentos precisa ser integrado desde o início nas futuras estratégias de saúde e planejamento.

A Prefeitura afirma que já está aumentando o acesso a espaços verdes. Essa é a linha deles. Mas olhe para as filas.

Pelo menos 30.501 londrinos estão à espera de um pedaço de terra.

Trinta mil e quinhentas pessoas. Esse número vem de uma solicitação de liberdade de informação de 2023 tratada pelo Greenpeace. Isso revela um lado da oferta quebrado. A demanda esmaga a disponibilidade. Dezesseis distritos simplesmente pararam de aceitar novos pedidos de loteamentos. Eles estão cheios. Livros fechados.

Espere. Você pode estar se perguntando por que a espera é tão longa?

Em Camden. A lista pode durar doze anos. Doze anos. Imagine planejar sua horta no horizonte de uma década. Em Islington. Existem apenas cento e seis parcelas disponíveis. Apenas cento e seis. Para cerca de dezessete mil domicílios que não têm nem quintal. A matemática é cruel.

O atual sistema de retalhos não é suficiente. É reativo. As pessoas que defendem o Direito ao Crescimento dizem que este precisa de ser estrutural. Um direito básico de cultivar seus próprios alimentos em terras públicas vazias. Não é um item de luxo. É infraestrutura.

Ainda não está claro se o prefeito escuta. O relatório está sobre a mesa. A terra vazia está sob nossos pés. Ainda estamos cavando nas margens.