Os nudibrânquios, comumente conhecidos como lesmas do mar, são admirados há muito tempo por suas cores marcantes. Pesquisas recentes revelam que esses tons vibrantes não são criados por pigmentos, mas por cristais microscópicos que agem como “pixels” naturais na pele. Esta descoberta desafia suposições anteriores sobre como estas criaturas marinhas alcançam uma diversidade de padrões tão deslumbrante.
Coloração Estrutural: Além dos Pigmentos
Durante anos, os cientistas acreditaram que as cores dos nudibrânquios vinham de pigmentos – da mesma forma que o bico de um tucano obtém suas tonalidades. No entanto, pesquisadores do Instituto Max Planck de Colóides e Interfaces descobriram que a cor estrutural, um efeito da luz refletida em estruturas microscópicas, desempenha um papel crucial. Isso significa que as cores não têm a ver com do que a lesma é feita, mas com como sua pele é estruturada.
A coloração estrutural é comum na natureza: observada em insetos, camaleões e até mesmo em manchas de óleo. Funciona de maneira diferente dos pigmentos; em vez de absorver luz, ele manipula como a luz reflete. Muitos efeitos vibrantes combinam pigmento com cor estrutural. Por exemplo, a cauda de um pavão parece iridescente devido a estruturas microscópicas que interferem na luz, realçando sua base marrom.
Como os nudibrânquios fazem isso: nanocristais de guanina
Os nudibrânquios usam minúsculos nanocristais de moléculas de guanina dispostas em sua pele. A disposição, o comprimento e os ângulos desses cristais determinam a cor exibida. Surpreendentemente, essas cores parecem foscas apesar da coloração estrutural geralmente causar iridescência (como a asa de uma borboleta).
A chave é a aleatoriedade: os nanocristais são empilhados em camadas dentro de “pixels” na superfície da lesma. Se perfeitamente ordenados, eles brilhariam, mas a leve desordem nivelaria a cor, criando tons fortes e brilhantes sem brilho. Isso permite que os nudibrânquios criem um espectro completo de cores com apenas pequenos ajustes estruturais entre as espécies.
Implicações e aplicações futuras
Esta descoberta explica como os nudibrânquios desenvolveram uma gama tão ampla de cores e padrões. Também poderia inspirar novos materiais para uso humano. A física Silvia Vignolini observa que tecnologias de cores sustentáveis podem ser desenvolvidas com base nesses princípios naturais.
“Muitas vezes nos inspiramos na natureza quando desenvolvemos novos materiais e técnicas. Talvez seja possível desenvolver cores sustentáveis baseadas nos mesmos princípios usados pelos nudibrânquios.”
A capacidade de criar cores vivas e foscas usando ajustes estruturais simples é uma adaptação evolutiva notável e pode conter lições valiosas para a ciência dos materiais no futuro.





















