Superflare de uma estrela próxima oferece a primeira visão em tempo real de explosões estelares

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Os astrónomos capturaram os primeiros momentos de uma enorme erupção estelar – uma supererupção – da estrela próxima HD 22468, proporcionando uma visão sem precedentes destes poderosos eventos cósmicos. Esta observação marca a primeira vez que uma supererupção desencadeada por raios X foi testemunhada numa estrela do tipo RS CVn, oferecendo uma “arma fumegante” crítica para testar as teorias existentes sobre como as estrelas libertam enormes explosões de energia.

O desafio de capturar fogos de artifício cósmicos

Observar explosões estelares conforme elas acontecem é notoriamente difícil. O universo está cheio de eventos fugazes, e captar a liberação inicial de energia é como prever onde um raio cairá. Os astrónomos dependem de redes globais de telescópios para varrer continuamente os céus, na esperança de testemunhar estes fenómenos transitórios em tempo real.

Superflare HD 22468: a explosão violenta de uma estrela

Em novembro de 2024, o telescópio SVOM/GRM detectou uma imensa supererupção de HD 22468. Em poucos instantes, a estrela liberou energia equivalente a meses de produção solar. Esta não é apenas uma versão maior das explosões do nosso sol; as supererupções são milhares a milhões de vezes mais poderosas, capazes de esterilizar planetas próximos com radiação intensa.

Por que isso é importante: entendendo a violência estelar

As supererupções ocorrem quando campos magnéticos distorcidos dentro da coroa de uma estrela se rompem e se reconectam repentinamente, liberando uma enorme quantidade de energia. Estrelas do tipo RS CVn – sistemas binários próximos – são particularmente propensas a estas explosões devido às suas interações magnéticas turbulentas.

“O forte disparo de raios X é crucial porque nos mostra o início do evento”, explica a investigação publicada no The Astrophysical Journal. “Isso nos permite testar modelos de como essas explosões se iniciam e se desenvolvem”.

Decodificando a Física do Flare

A observação revelou uma sequência clara: o pico de raios X duros veio primeiro, seguido por raios X suaves de maior duração e brilho óptico. As temperaturas subiram para entre 10 milhões e 100 milhões de Kelvin, impulsionadas por processos térmicos e partículas aceleradas. Este momento confirma que a reconexão magnética é provavelmente o mecanismo chave por trás destas explosões.

Implicações para a Física Estelar e Habitabilidade

Dados detalhados da explosão permitem aos astrónomos refinar simulações computacionais, melhorando a nossa compreensão de como as estrelas armazenam e libertam energia. Melhores modelos ajudarão a prever o comportamento estelar, avaliar a perda de massa e avaliar a habitabilidade dos planetas que orbitam estrelas ativas.

O estudo sublinha a importância da monitorização contínua: “Continuamos a olhar para as estrelas durante muito tempo e, por vezes, temos sorte”, observa a equipa de investigação. Esta última observação é um passo crítico em direção a uma imagem completa dos fogos de artifício estelares – e das condições que permitem que eles aconteçam no universo.