O Departamento de Estado dos EUA está a ponderar a medida controversa de cortar a assistência vital ao VIH/SIDA à Zâmbia como alavanca nas negociações para um maior acesso aos recursos minerais críticos do país. Um memorando interno que vazou revela a vontade de reduzir publicamente o apoio à Zâmbia “em grande escala” se o governo não concordar com os novos termos.
O que está em jogo para a Zâmbia
Aproximadamente 1,3 milhões de zambianos dependem do tratamento diário do VIH fornecido através do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da SIDA (PEPFAR), juntamente com medicamentos essenciais para a tuberculose e a malária. Estes programas salvam colectivamente dezenas de milhares de vidas todos os anos. O potencial para um “corte significativo” nesta ajuda, já em Maio, está a ser activamente considerado pela administração Trump.
A mudança na estratégia de ajuda dos EUA
Esta táctica faz parte de uma iniciativa mais ampla do Departamento de Estado para vincular a ajuda externa a condições específicas. Vinte e quatro nações já assinaram acordos comprometendo-se a aumentar as despesas internas com a saúde em troca da continuação do financiamento dos EUA – totalizando 20 mil milhões de dólares ao longo de cinco anos. No entanto, alguns países, como o Zimbabué, recusaram tais acordos, alegando preocupações sobre a soberania dos dados e a partilha de amostras biológicas. Desafios semelhantes surgiram no Quénia, onde activistas contestam os termos em tribunal.
A disputa mineral: uma nova dimensão
As negociações da Zâmbia diferem dos acordos de ajuda anteriores num aspecto fundamental: os EUA procuram explicitamente utilizar a ajuda como alavanca para contrariar a presença estabelecida da China no sector mineral da Zâmbia. A Zâmbia é um grande produtor de cobre e detém reservas substanciais de lítio e cobalto – minerais cruciais para a transição global para a energia verde. Os EUA consideram o acesso atual da China problemático.
“Só garantiremos as nossas prioridades demonstrando a vontade de retirar publicamente o apoio à Zâmbia em grande escala.” — Projeto de memorando do Departamento de Estado
Esta medida levanta questões éticas sobre a alavancagem da saúde pública para ganhos geopolíticos e económicos. A táctica sublinha a crescente vontade dos EUA de utilizar a ajuda como ferramenta de negociação, potencialmente à custa das populações vulneráveis.
Em essência, os EUA estão sinalizando que o apoio contínuo à saúde para a Zâmbia depende do acesso favorável à sua riqueza mineral, marcando uma escalada acentuada na forma como a ajuda externa é utilizada como instrumento estratégico.
