David Hasselhoff sentou-se pela primeira vez no banco do motorista de um carro falante há 26 anos. O conceito parecia ridículo então. Foi ultrajante. Foi absolutamente legal. The Knight Industries Two Thousand, ou KITT, tornou-se a co-estrela de uma série de ação que durou quatro anos antes de se esgotar.
Em fevereiro passado, a franquia ganhou uma nova camada de tinta. Um filme de duas horas ressuscitou a propriedade com um KITT superalimentado e um novo protagonista em Justin Bruening. Ele interpretou Mike Traceur, filho do icônico Michael Knight de Hasselhoff. O filme atraiu 12,7 milhões de espectadores durante a semana de varreduras. Esse número fez do spin-off o próximo passo óbvio. A rede deu luz verde.
Então a realidade se instalou. A nostalgia poderia ter vendido ingressos para um filme. Não teria uma audiência semanal. Um carro falante também não bastava. “O carro de todo mundo fala agora”, lembrou o produtor da série Gary Scott Thompson. Graças ao OnStar e ao GPS, os carros são tagarelas por padrão. Thompson, um fã do original, sabia disso. Ele precisava acompanhar uma geração criada em Transformers, a evolução do Batmóvel para o Batpod em O Cavaleiro das Trevas e inúmeros videogames.
“O público não vai mais ficar parado vendo as pessoas apenas conversando. Existem muitas opções por aí… Nossa concorrência é o Xbox e o Playstation.”
Para conquistar novos fãs e ao mesmo tempo manter os antigos, KITT tinha que ser espetacular. A ação precisava ser rápida e furiosa. Thompson escreveu o roteiro daquele filme, então ele sabia do que estava falando. O ritmo teve que mudar. As histórias tinham que entreter.
“Tivemos que acelerar o ritmo”, observou Thompson. O objetivo era simples. Entregue um filme de 43 minutos todas as semanas. Ele argumentou que poderia ser o maior programa da TV. Acrobacias. Carros. Efeitos visuais. Efeitos especiais. Esse foi o lance.
Bruening e sua equipe operavam em uma caverna KITT de alta tecnologia. Deanna Russo, Yancey Arias, Sydney Tamiia Poitier, Paul Campbell, Smith Cho e Bruce Davidson completaram o elenco. A vibração era Missão: Impossível. Mais tecnologia. Mais gadgets. Mais apostas.
Mas o carro continuou sendo a estrela. Inegável. Muito trabalho foi feito para transformar um Ford Mustang preto esportivo no supercarro Knight Industries Three Thousand. Não foi apenas um adereço. Foi a peça central.
Carro Inteligente
O novo KITT não era apenas um carro que falava. Era um supercomputador sobre rodas. A atualização exigiu combinar a verdadeira engenharia automotiva com a magia de Hollywood. O Ford Mustang forneceu a força. A tecnologia das Indústrias Knight forneceu o cérebro.
Os espectadores queriam ver como o carro sobreviveu aos acidentes. Eles queriam ver o impulso. Eles queriam o Nitro-Nose. O show teve que cumprir a promessa de um veículo que pudesse fazer o que nenhum outro carro poderia.
Thompson pressionou por efeitos práticos sempre que possível. Acrobacias reais. Falhas reais. Os efeitos digitais preencheram as lacunas. O resultado foi um carro que parecia vivo. Não apenas uma voz de robô. Uma personalidade.
O elenco de apoio teve que acompanhar. Russo como Gail, Arias como Wilton, Poitier como Don, Campbell como Devon, Cho como Kara e Davidson como Sr. E. Eles não eram apenas companheiros. Eles faziam parte da máquina. A caverna era seu centro. O carro era a arma deles.
A competição por atenção é acirrada. Filmes. Centenas de canais. Jogos de vídeo. O novo Knight Rider tinha que ser mais barulhento. Mais rápido. Mais inteligente. O tropo do carro falante morreu. O supercarro sobreviveu.
O público veio pela nostalgia? Sim. Eles ficaram pela velocidade? Provável. A linha entre realidade e ficção ficou turva. O GPS nos deu comandos de voz. *

Ray Claridge não constrói apenas carros. Ele constrói lendas. Sua loja em North Hollywood, Cinema Vehicles, é onde a mágica acontece na TV e no cinema. O projeto atual? O novo KITT.
É um Ford Mustang GT 500 sob a pele. Mas não se engane, este não é um modelo comum de showroom. “É um carro de produção com algumas modificações de ajuste e suspensão”, diz Claridge. Bastante simples. Mas olhe mais de perto. As especificações de design vieram do artista Harald Belker. Isso significa um spoiler traseiro com iluminação. Luzes de espelho. Luzes de tira. E a famosa “iluminação pulsante” pulsando nos flancos.
Acertar no asfalto foi uma fera diferente.
“O design original tinha a frente do carro provavelmente a uma polegada e meia do chão”, explica Claridge. “Isso não vai funcionar.”
Você não pode dirigir uma polegada e meia de folga em todos os lugares. Acerte um solavanco. Game Over. Pára-choque rachado. Noite arruinada. Então eles se ajustaram. Eles mantiveram o visual. Eles garantiram que ele poderia atingir a rodovia. E trabalharam em estreita colaboração com a Ford para preservar a integridade do Mustang. Você ainda sabe que é um Mustang. Você vê isso instantaneamente.
Claridge construiu seis KITTs até agora. Quatro são fac-símiles de “heróis” para fotos e acrobacias de beleza. Dois são veículos de ataque com sérias melhorias de desempenho. Os produtores queriam efeitos práticos. Eles fizeram. Mas o tempo e o orçamento são verdadeiros inimigos em Hollywood. “Os produtores de televisão têm uma mentalidade especial com o orçamento para cerveja”, observa Claridge. Cada carro custa cerca de seis dígitos.
Compromissos acontecem. A rede quer que tudo funcione mecanicamente. A realidade diz que não. Alguns efeitos mecânicos agora são CGI. Quando o KITT muda do modo normal para o modo de ataque? São imagens geradas por computador. O produto final é o que importa. O KITT já se transformou em outros Fords. Uma caminhonete. Um Predador.
Por dentro, a tecnologia é igualmente pesada. Uma tela sensível ao toque abrange o para-brisa. Como um iPhone. Baixe informações. Veja objetos 3D enquanto dirige. A vigilância por satélite rastreia qualquer pessoa, em qualquer lugar. KITT aprende. Inteligência artificial. Orientado pela lógica. “Ele é quase mais humano do que os humanos”, diz Thompson.
Depois há a voz.
Não é digital. É Val Kilmer. Thompson elogia ele. “Ele oferece várias opções e maneiras sempre que diz algo.” Kilmer grava de forma independente. Então, no set, o ator David Hasselhoff (referido como Bruening no texto fonte, provavelmente um erro de digitação de Hasselhoff ou um contexto específico de dublê/dublador, mas nos limitamos ao “Bruening” do texto) usa uma dublê de voz. Alguém que possa se passar por Val. Mesmas cadências. Tudo.
Bruening realmente dirige o carro? Ou é um dublê? O texto deixa isso em suspenso. Uma boa pergunta. Quem está realmente ao volante quando KITT acelera em uma rodovia deserta?
Cinema Vehicles não está apenas fazendo Knight Rider. Eles operam em uma enorme instalação de 70.000 pés quadrados. Sete hectares e meio. Eles trabalham em 35 a 50 programas de TV por vez. Agora: “Mentes Criminosas”. “As Crônicas de Sarah Connor.” Todos os programas “CSI”. “24.” “Donas de casa desesperadas.”
Filmes também. “A Ressaca” está em andamento. Estrelado por Bradley Cooper.
Ao longo de 32 anos, Claridge tocou em centenas de carros. Seu favorito? Leonor. O Shelby GT 500 1967. Nicolas Cage dirigiu em “Gone in 60 Seconds”. Um ícone. Ainda chama a atenção. Claridge ficou com um. Eles nem sempre conseguem mantê-los. Mas desta vez, eles fizeram.
Acrobacias e logística

Aulas de direção acrobática para Justin Bruening
A realidade de realizar perseguições em alta velocidade é muito menos glamorosa do que assisti-las na tela. Bruening admitiu que ele e outros membros do elenco tiveram que ter aulas de direção apenas para lidar com as manobras mais seguras. Ele está trabalhando em estreita colaboração com Corey Eubanks, seu dublê, para dominar técnicas como reverter 180º. O objetivo é simples, mas assustador: deslizar um carro em direção à câmera sem atingir a tripulação.
“É realmente estressante. Não é que eu não me sinta confortável ao volante, é que há um grupo de 30 pessoas paradas ali e tenho que deslizar o carro até um certo ponto para não bater nelas.”
Bruening observou que Eubanks é um profissional, capaz de manobrar um veículo a cinco centímetros de um barril. Embora ele próprio não espere atingir essa precisão, ele quer controlar o máximo possível da direção. Ele realiza cerca de 98% das lutas do show, desde que não haja risco de lesões graves. Como fã de longa data do Knight Rider original, ele assistiu novamente à série clássica depois de conseguir o papel. Ele completará 29 anos na data de estreia, 24 de setembro.
Desafios de tiro em Los Angeles
Filmar em locações em Los Angeles traz suas próprias dores de cabeça. O criador da produção Gary Scott Thompson, que anteriormente produziu Las Vegas e escreveu The Fast and the Furious, sabe o que fazer. Fechar rodovias, rodovias e áreas centrais é um pesadelo logístico.
“Fechar rodovias e rodovias e o centro da cidade é meio chato… Isso não me torna uma pessoa popular.”
Os criadores enfrentam um duplo desafio: agradar os fãs nostálgicos da série original e ao mesmo tempo atrair um público novo e mais jovem. Eles também precisam manter envolvidos os espectadores interessados que assistiram ao filme de duas horas na TV. Alguns personagens foram adicionados ou excluídos, e os enredos foram ajustados para apoiar uma narrativa contínua, em vez de uma história independente. Thompson explicou que expandir a mitologia era necessário para sustentar uma série completa.
David Hasselhoff retornará?
Os fãs estão perguntando sobre David Hasselhoff, que apareceu no filme para TV. Thompson reconheceu que alguns fãs podem ficar desapontados com sua ausência na série principal. No entanto, ele não chegou a dizer que a porta estava fechada. A questão não está morta. O personagem Knight Rider original ainda pode retornar de alguma forma.
Thompson e seus coprodutores executivos sabem que não podem agradar a todos. A estratégia deles é focar no entretenimento alegre. Essa abordagem é uma resposta direta à reinicialização de Bionic Woman de 2007, que Thompson criticou por ser muito sombrio e taciturno.
“Foi divertido realizar um desejo, e eles se esqueceram dessa parte. Foi sombrio e taciturno. Eles esqueceram o aspecto divertido. Teria sido bom para um canal como o de ficção científica, mas para uma rede, você precisa ampliar seus horizontes e seu apelo.”
O objetivo é manter as coisas divertidas e oferecer aos telespectadores o carro mais legal da televisão.
Hábitos de direção no mundo real de Justin Bruening
Fora do set, Bruening insiste que é um piloto “muito bom”. O nativo de Nebraska admite que não fica impaciente no trânsito, a menos que esteja com pressa. Seu primeiro carro foi um Chrysler Cordoba 1976. Hoje, ele dirige um Mustang, especificamente uma réplica do modelo que Steve McQueen dirigiu em Bullitt.
Seu pior hábito? Ligando AC/DC e Metallica enquanto sua esposa está no carro. Ela não aprecia o volume.
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Mais ótimos links
- Site oficial do “Cavaleiro”
- Serviços de veículos de cinema
Fontes
- Gary Scott Thompson e Justin Bruening entrevistados em 21 de julho de 2008
- Ray Claridge entrevistado em 21 de agosto de 2008

















