Injeções de cogumelos para o vício em cocaína? Talvez

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Uma dose pode resolver isso. É isso que sugere um novo estudo sobre o vício em cocaína e psilocibina. Publicado recentemente no JAMA Network Open, os resultados parecem promissores. Dezenove participantes tomaram uma única dose de cogumelos mágicos. Dezessete tomaram difenidramina – espere, não – um placebo. O anti-histamínico serviu como controle. Mais pessoas no grupo da psilocibina desistiram.

Eles também fizeram terapia. Processar a experiência é importante. Você não pode simplesmente tomar um comprimido e ir embora.

O Dr. Peter Hendricks, da Universidade do Alabama, lidera este trabalho. Ele vê uma necessidade urgente. Por que? Não existem medicamentos aprovados pela FDA para o vício em cocaína ou metanfetamina. Nenhum. Enquanto isso, as overdoses matam americanos a cada minuto. A produção está em níveis recordes. As mortes estão aumentando.

Hendricks iniciou essa linha de pensamento anos atrás. Ele analisou dados locais em Birmingham. O uso de cocaína foi o preditor mais forte de ir para a prisão. Ficar fora da prisão significava permanecer limpo. Atingiu mais duramente os homens negros de baixa renda. Um grupo demográfico que enfrenta taxas de prisão mais elevadas por esses crimes. Os brancos usam mais. Mas os negros são presos.

O mecanismo retém água? Alguns especialistas dizem que sim. Robin Carhart-Harris diz que os psicodélicos aumentam a neuroplasticidade. Eles mudam a forma como pensamos. O vício é ficar preso em laços rígidos. Quebre o ciclo. Você pode quebrar o hábito.

Não são como os remédios padrão. Gabi Agin-Liebes, de Yale, aponta isso. A maioria dos medicamentos tem como alvo os mesmos receptores químicos. Os adesivos de nicotina fornecem nicotina mais segura. As substituições de opióides ligam-se aos mesmos pontos. Psilocibina? Completamente diferente. Altera a consciência. Uma sessão. Dentro de uma estrutura terapêutica. Não é um medicamento de manutenção. Você não continua tomando.

É mais como um catalisador.

Essa dose única muda a perspectiva. Traz autocompaixão. Isso pode ser mais importante para a cocaína. Por que? Porque a abstinência de cocaína não é fisicamente dolorosa como os opioides. É psicológico. Sonhos ruins. Agitação. Desejando a pressa. Uma mente presa em uma rotina. A psilocibina pode simplesmente abrir a rotina.

Um comentário no mesmo jornal levantou sobrancelhas. Eles excluíram pessoas com depressão ou ansiedade. Isso limita as descobertas. Ponto justo. Mas Carhart-Harris rebate isso. A psilocibina também funciona para essas condições. Eles também são rotinas. Talvez seja um canivete suíço para o cérebro.

Aqui está a reviravolta que parece importante. A maioria dos participantes eram negros. A maioria dos ensaios psicodélicos nos EUA apresenta pessoas brancas. Muitas vezes rico. Pense no Vale do Silício. Pense em Michael Pollan. Pense nos círculos de elite.

Agin-Liebes cita uma revisão que confirma esse viés. Rico, branco, SES alto. Essa é a norma.

Hendricks mudou o jogo aqui. Ou tentei. Eles não comercializaram isso como “venha fazer sua viagem”. Isso atrai entusiastas. Pessoas que já acreditam na magia. Quem poderia adivinhar que seu placebo não está fazendo nada porque sabe qual é a sensação da droga.

Não. O anúncio foi contundente. Pare de cocaína. É isso. Sem exageros psicodélicos. O resultado? Uma amostra que se parece com pessoas reais em Birmingham com problemas com cocaína.

O “efeito expectativa” é minimizado? Provavelmente.

Os resultados são precoces. Pequeno. Mas eles clamam por um julgamento maior. Isso muda tudo? Talvez não tudo. Mas isso abre a porta. Para uma substância que matou inúmeras pessoas este ano, isso conta para alguma coisa. Ainda estamos esperando.